.:: Osteoporose e Queda:
Uma combinação perigosa ::.
Os números apontam o tamanho do problema. A osteoporose é considerada um grave problema de saúde pública e uma das mais importantes doenças associadas ao envelhecimento. A incidência de doenças mais comuns em mulheres mostra que as fraturas osteoporóticas são três vezes mais comum que as Doenças Coronarianas, sete vezes mais que os AVC (Acidentes Vasculares Cerebrais) e oito vezes mais que o Câncer de Mama. Hoje acomete cerca de mais de 20 milhões de brasileiros, particularmente mulheres após a menopausa e homens a partir dos 60 anos.
Sua tendência é crescer ainda mais, já que a perspectiva de vida da população tem aumentado significativamente nos últimos anos, sendo suas piores conseqüências às fraturas.
O diagnóstico destas fraturas nem sempre é fácil devido às chamadas “fraturas sub-clínicas”, mas já se sabe que elas são de suma importância no prognóstico e na tomada de decisão terapêutica. Uma fratura de punho que atendemos na Emergência é muitas vezes o primeiro sinal da doença e deve conduzir, no mínimo, a uma investigação adequada. É a primeira oportunidade que o ortopedista tem para encaminhar, ou diagnosticar e tratar a osteoporose, pois ocorre em pacientes mais jovens, ela não deve ser perdida. Elas predizem uma possível fratura do quadril 15 a 20 anos antes.
As fraturas de vértebras da coluna são as mais comuns e mais freqüentes, muitas vezes, aparecem espontaneamente e podem levar às deformidades estruturais e/ou posturais dos indivíduos ou a dores incapacitantes.
A fratura do fêmur é a conseqüência mais dramática da osteoporose. Muitos pacientes com fratura de quadril 20% morrem devido à esta fratura, ou por complicações durante a cirurgia, ou mais tarde por embolia ou problemas cardiopulmonares. Dos 80% restantes dos pacientes que sobrevivem, cerca de 50% destes, ficam com graus variáveis de incapacidade, dependendo de muletas, cadeiras de rodas, andajar, bengalas entre outros, perdendo assim sua qualidade de vida.
Um caso recente penalizou o arquiteto Oscar Niemeyer, que sofreu uma queda em sua casa, no Rio de Janeiro, no último dia 09 de outubro, fraturando o quadril.
Estima-se que 30% das pessoas acima de 65 anos caem pelo menos uma vez por ano no Brasil. Esse número chega a 50% em pessoas com mais de 85 anos. Nas pessoas de terceira idade hospitalizadas em decorrência de uma queda, o risco de morte no ano seguinte à hospitalização varia de 15% a 50%, segundo dados da SBOT
Neste dia mundial da osteoporose, queremos levar esta mensagem de alerta e esclarecimento à população, para que possa buscar sua prevenção ou tratamento adequado junto ao seu médico ortopedista.
“Trata-se de um quadro grave e que precisa ser alterado. Quando um idoso cai e fratura um osso, as conseqüências para a sua saúde são imediatas. Fisicamente, ele perde sua capacidade de mobilidade, a independência, e pode ter inúmeras complicações associadas à fratura. Psicologicamente, o dano pode ser ainda maior. Muitas vezes a queda assume um significado de decadência e fracasso, sentimentos de vulnerabilidade, humilhação e culpa”, afirma Dr. Henrique Mota, presidente do comitê de osteoporose e doenças osteometabólicas da SBOT.
“O mais triste é que esses acidentes poderiam ser evitados com a prevenção de alguns cuidados básicos de segurança”, completa o Dr. Henrique Mota.