.:: O Impacto das Quedas na Terceira Idade ::.
O equilíbrio corporal é mantido pela atuação do labirinto, da visão e de receptores localizados nos músculos e nas articulações. Os estímulos do meio ambiente são captados por esses órgãos e conduzidos até o sistema nervoso central onde são interpretados. Após a análise das informações, são emitidas ordens para a manutenção da postura.
Nos idosos, o equilíbrio tem diferenças exclusivas comparado com os jovens. As alterações fisiológicas normais associadas ao envelhecimento do sistema vestibular, do olho e da propiocepção podem favorecer as quedas e dificultar o processo de recuperação do idoso.
Além disso, as tonturas nos idosos estão relacionadas ainda com múltiplas deficiências tais como doenças circulatórias, diminuição da massa muscular, artrites, osteoporose, redução da sensibilidade, depressão, doenças neurológicas, diminuição da visão e da audição, efeito colateral de medicamentos entre outras.
A principal conseqüência das quedas é a fratura que leva à hospitalização muitas vezes prolongada, o que predispõe o paciente a adquirir outras enfermidades, que podem agravar doenças já existentes e facilitar o surgimento de outras complicações.
As quedas na terceira idade são as principais causas de morte acidental em pessoas com mais de 65 anos. Estima-se que 30% das pessoas acima dessa faixa etária sofrem quedas ao menos uma vez por ano no Brasil e esse número atinge 50% em pessoas com mais de 85 anos. A lesão acidental é a sexta causa de mortalidade em pessoas de 75 anos ou mais. A queda é responsável por 70% dessa mortalidade.
O Brasil tem cerca de 13 milhões de pessoas com mais de 60 anos que são responsáveis por um terço dos atendimentos de lesões traumáticas nos hospitais já que 34% das quedas geram algum tipo de fratura.
Quando hospitalizados, permanecem internados o dobro do tempo se comparados aos que são admitidos por outra razão, gerando custos elevados aos serviços de saúde. Até 1/3 das pessoas com idade de 65 anos ou mais que moram em suas residências são vítimas de queda e 1 em cada 40 pessoas necessita ser internada. O tempo médio de hospitalização em decorrência de uma queda pode variar de 10 a 16 dias.
O índice de óbito durante a internação pode atingir 45%. No Brasil, a participação das quedas na mortalidade proporcional por causas externas cresceu de 3% para 4,5% de 1984 a 1994.
As estimativas apontam índices alarmantes, já que, em 2025 nosso país poderá contar com 31,8 milhões de habitantes com 60 anos ou mais, e ocupará o 6° lugar no mundo em contingente de idosos.
Sabe-se que cerca de 60% das quedas ocorrem em casa, durante as atividades diárias e 25% delas são resultantes de “perigos domésticos”, como pisos escorregadios, pouca luminosidade e disposição inadequada de móveis. O trajeto quarto-banheiro, principalmente a noite, é considerado o de maior risco na moradia.
As conseqüências da queda podem ser desastrosas na vida do indivíduo. Para uma pessoa idosa, a queda pode assumir significados de decadência e fracasso gerados pela percepção da perda das capacidades do corpo potencializando sentimentos de vulnerabilidade, ameaça, humilhação e culpa. A resposta depressiva subseqüente é um resultado esperado. Aqueles que sofrem quedas podem ficar limitados e perder a sua independência o que leva a um grande declínio funcional nas atividades de vida diária e nas atividades sociais, com aumento do risco de institucionalização.
Outro fator agravante está relacionado com a osteoporose. Dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia indicam que aproximadamente 40% das mulheres com mais de 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose durante sua vida.
A incidência das quedas e a severidade da lesão causada por elas aumentam com a idade. Enquanto alguns fatores de risco para a queda não podem ser mudados, como o envelhecimento, outros podem ser facilmente eliminados ou reduzidos. Esse é um dos principais focos da Campanha Nacional de Prevenção a Quedas de Idosos que tem o objetivo de melhorar as atividades de prevenção das quedas, a fim de interromper a cadeia de eventos antes de sua ocorrência e/ou minimizar os efeitos nocivos subseqüentes. Para isso é necessário fazer com que as pessoas identifiquem e eliminem os principais fatores de risco.
As medidas preventivas de quedas associadas a um adequado tratamento médico das doenças que interferem no equilíbrio corporal podem melhorar muito a qualidade de vida do idoso, oferecendo-lhe maior segurança nas suas atividades diárias.