.:: Manter o equilíbrio corporal na terceira idade requer prevenção ::.
Cerca de 45% dos casos de tontura na 3ª idade são causados por disfunções vestibulares
A queixa de tontura é um dos motivos mais comuns pelo qual os idosos procuram um serviço médico. A incidência da tontura aumenta com a idade e pode ser causada por diversas condições médicas, mas cerca de 45% dos casos são devidos às disfunções vestibulares.
O equilíbrio do corpo é mantido por três pilares coordenados pelo nosso sistema nervoso central (SNC), são eles: a propriocepção, o labirinto, e a visão.
Doenças que comprometem o equilíbrio
Com o envelhecimento, ocorre um desgaste natural das estruturas e, como conseqüência, podem surgir as tonturas. Além disso, o idoso geralmente apresenta outras doenças que podem comprometer o funcionamento do sistema de equilíbrio corporal, agravando as tonturas e predispondo às quedas.
Com o passar dos anos ocorre uma redução no número de células ciliadas das estruturas labirínticas e também uma diminuição de neurônios vestibulares, essa condição pode ser agravada por doenças vasculares, metabólicas, neurológicas ou por efeito de determinados medicamentos.
A acuidade visual, a capacidade de acomodar a visão e a perseguição uniforme normalmente declinam com o envelhecimento. Além disso, os idosos podem ter distúrbios oculares como catarata, glaucoma e degeneração macular que aumentam o comprometimento da visão. Essas alterações podem interferir na manutenção do equilíbrio corporal e dificultar a adaptação depois de uma lesão vestibular.
Alterações propioceptivas também ocorrem com o envelhecimento. Dificuldade para sentir a vibração, redução na capacidade de detectar o movimento passivo do pé e o aumento no tempo de reação do membro inferior são constantemente observados no idoso, além da diminuição da sensibilidade do pé.
Deste modo, as mudanças fisiológicas normais associadas ao envelhecimento do sistema vestibular, da visão e da propiocepção podem comprometer as condições de equilíbrio. Essa situação pode ser agravada por problemas comórbidos que freqüentemente existem entre os idosos predispondo-os a queda e a todas as suas conseqüências. Portanto, as medidas preventivas de queda associadas a um adequado tratamento médico das doenças que interferem no equilíbrio corporal podem melhorar muito a qualidade de vida do idoso, oferecendo-lhe maior segurança nas suas atividades diárias.
Percepção do Ambiente
Os labirintos são sensores que existem nos ouvidos, um para cada orelha. Cabe aos labirintos informar ao SNC a movimentação e a posição da cabeça no espaço. O SNC, ao receber as informações do labirinto, reconhece a posição da cabeça e com isso produz reflexos motores para o equilíbrio e a locomoção. Se a pessoa girar sua cabeça para o lado direito, o seu SNC fica “sabendo” que a cabeça girou para a direita, e com isso vai contrair e relaxar determinados grupos musculares para que a pessoa não se desequilibre com o movimento.
A propriocepção é a informação proveniente do sistema proprioceptivo músculo-tendinoso. Ou seja, são sensores existentes nos tendões e nas fibras musculares que analisam o grau de contração dos músculos. Essa informação somada a exteroceptiva (tátil) chega ao SNC permitindo a análise da posição de todas as partes do corpo, relacionando-as entre si, com a direção da gravidade e com o plano de sustentação do indivíduo.
A visão, cujos sensores estão na retina, ao trazer as imagens do meio externo contribui para o sentido de orientação espacial. Permite a percepção do ambiente que se movimenta em relação à cabeça. A estrutura do SNC que coordena as informações desses sensores chama-se cerebelo.
O Sistema Nervoso Central está continuamente aprendendo e interpretando essas informações, adaptando-as em várias situações (como em viagens de navio). Graças a esses pilares pode-se estabilizar a imagem do ambiente quando alguém faz movimentos com a cabeça, controlando o equilíbrio, quando está em pé ou andando (postura e locomoção) e se orientando no meio em que vive (orientação espacial).